sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Contrário de Amor


"O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.


O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto."

Martha Medeiros

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Folha amassada



Quando criança, por causa de meu caráter impulsivo, tinha raiva à menor provocação.
Na maioria das vezes, depois de um desses incidentes me sentia envergonhado e me esforçava por consolar a quem tinha magoado.
Um dia, meu professor me viu pedindo desculpas, depois de uma explosão de raiva, e entregou-me uma folha de papel lisa e me disse:
- A M A S S E – A!
Com medo, obedeci e fiz com ela uma bolinha.
- Agora, deixe-a como estava antes. Voltou a dizer-me.
Óbvio que não pude deixá-la como antes.
Por mais que tentasse, o papel continuava cheio de pregas.
O professor me disse, então:
- O coração das pessoas é como esse papel. A impressão que neles deixamos será tão difícil de apagar como esses amassados.
Assim, aprendi a ser mais compreensivo e mais paciente.
Quando sinto vontade de estourar, lembro daquele papel amassado.
A impressão que deixamos nas pessoas é impossível de apagar.
Quando magoamos alguém com nossas ações ou com nossas palavras, logo queremos consertar o erro, mas é tarde demais…
Alguém disse, certa vez:
- Fale somente quando suas palavras possam ser tão suaves como o silêncio.

(autor desconhecido)

sábado, 11 de setembro de 2010

Cinco coisas...


Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.

(Pablo Neruda)

sábado, 21 de agosto de 2010

Vozes



Se você ouvisse
As vozes que ouço à noite
Acharia tudo que eu faço natural 

Se você sentisse
O medo que eu sinto do escuro
(...)


(Engenheiros do Hawaí)

sábado, 7 de agosto de 2010

Fins...



Todos os fins são também começos,
Apenas não sabemos disso na hora.


(Mitch Albom)

domingo, 4 de julho de 2010

Eu só peço a Deus


Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o q’eu queria

Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente


 Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente


Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não esqueça facilmente


Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente


(Solo le pido a Dios - Mercedes Sosa / Versão em portugues cantada por Beth Carvalho)

Jura secreta


Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que não causei


(Zélia Duncan / Composição: Sueli Costa e Abel Silva)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pra Você eu Digo Sim



Se eu me apaixonar
Vê se não vai debochar
Da minha confusão
Uma vez me apaixonei
E não foi o que pensei
Estou só desde então...
Se eu me entregar total
Meu medo é
Você pensar que eu
Sou superficial
Se eu não fizer amor
Assim sem mais
Se você brigar e for
Correndo atrás de alguém
Não vou suportar a dor de ver
Que eu perdi mais uma vez meu amor
Mas se eu sentir que nós
Estamos juntos
Longe ou a sós no mundo e além
Pode crer que tudo bem
O amor só precisa de nós dois mais ninguém...
Se você quiser ser meu namoradinho
E me der o seu carinho sem ter fim
Pra você eu digo sim

(Cidia e Dan - Composição: John Lennon e Paul McCartney - Versão Rita Lee)

Quando você voltar



Vai, se você precisa ir
Não quero mais brigar esta noite
Nossas acusações infantis
E palavras mordazes que machucam tanto
Não vão levar a nada, como sempre
Vai, clareia um pouco a cabeça
Já que você não quer conversar.
Já brigamos tanto
Mas não vale a pena
Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV
Sei que existe alguma coisa incomodando você
Meu amor, cuidado na estrada
E quando você voltar
Tranque o portão
Feche as janelas
Apague a luz
e saiba que te amo...


(Legião Urbana)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Simplesmente...


E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

(Skank / Composição: Samuel Rosa / Nando Reis)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Vamos, meu amor...


Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo que há pra viver
   Vamos nos permitir...

(Lulu Santos)

terça-feira, 15 de junho de 2010

S2



"Liberdade na vida é ter um amor para se prender."

(Carpinejar)

Enamorados


"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos 
por aqueles que não podiam escutar a música."

(Nietzsche)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Escolhi a saúde


"Escolhi os plantões, porque sei que o escuro da noite amedronta os enfermos.    
Escolhi estar presente na dor porque já estive muito perto do sofrimento.
Escolhi servir ao próximo porque sei que todos nós um dia precisamos de ajuda.
Escolhi o branco porque quero transmitir a paz.
Escolhi estudar métodos de trabalho porque os livros são fontes de saber.
Escolhi trabalhar na saúde porque amo e respeito a vida"

terça-feira, 8 de junho de 2010

Dona de mim



"A vida é minha. O amor é meu. 
Me dou de bandeja pra quem eu quiser. 
Você aí quer? Quer mesmo? Então leva. 
Mas leva tudo! Leva e não devolve."


(Fernanda Mello) 

Obs: roubei da mana... Blog da Michele

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mudar...



"Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?
Se a resposta for não, então está na hora de mudá-la."

terça-feira, 1 de junho de 2010

O que tinha de ser


Porque foste na vida
A última esperança 
Encontrar-te me fez criança 
Porque já eras meu 
Sem eu saber sequer 
Porque és o meu homem
E eu tua mulher 
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas 
E tuas mãos foram minhas com calma 
Porque foste em minh'alma 
Como um amanhecer 
Porque foste o que tinha de ser 

(Tom Jobim/ Vinicius de Moraes)

Obs: roubei da mana... Blog da Michele

sábado, 8 de maio de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Se algum dia a gente se encontrar...



"Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, 
e que então tudo vai ser mais claro, 
que não vai mais haver medo nem coisas falsas. 
Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, 
e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você 
e voltei e tornei a fugir.
São coisas difíceis de serem contadas,
mais difíceis talvez de serem compreendidas -
se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, 
eu direi delas, caso contrário não será preciso."


(Caio Fernando Abreu)

Obs: Roubei da mana... Blog da Michele

Melhor assim...


Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim,
quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer,
lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia —
qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido...


(Caio Fernando de Abreu)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O anjo mais velho

(para ti papai...)


Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar


Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

(Teatro Mágico - Composição: Fernando Anitelli)

sábado, 24 de abril de 2010




Quando eu ouço alguém suspirar: 
"A vida é dura", 
eu sempre sou tentada a perguntar:
"Comparado a que?"



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sei lá... a vida tem sempre razão



Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída.
Como é, por exemplo, que dá pra entender:
A gente mal nasce, começa a morrer.
Depois da chegada vem sempre a partida,
Porque não há nada sem separação.
Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão.
Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.

A gente nem sabe que males se apronta.
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe,
E o sol que desponta tem que anoitecer.
De nada adianta ficar-se de fora.
A hora do sim é o descuido do não.
Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão.
Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.

(Composição: Toquinho / Vinicius de Moraes)

segunda-feira, 19 de abril de 2010



"Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas.
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,
nem desconfia que se acha conosco desde o início
das eras. Pensa que está somente afogando problemas
dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar
inquietação do mundo!"


(Mário Quintana)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Não quero deixar para o "Epitáfio"


Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe alegria
E a dor que traz no coração...

 O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...


Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...

(Titãs - Composição: Sérgio Britto)


Ter visto o sol se pôr...




sexta-feira, 2 de abril de 2010

Strip-Tease



Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta, não levou mais do que dois segundos para atender.

Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.

Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".

Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."

Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".

Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".

Por fim, a última peça caía, deixando-a nua
"Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

(Martha Medeiros)

domingo, 28 de março de 2010

A saudade fala português

Quando estive na Itália, recebi de minha mãe um texto que falava sobre saudades. E, como hoje estou assim, tão nostálgica, fui redescobrir esse texto lá na comunidade do orkut "Brasileiros em Milão", num tópico que eu criei para dividir o texto com a galera, que assim como eu, estava longe da sua terra e da sua gente. Agora, 1 ano e 2 meses depois da data que fiz a postagem, a saudade é da terra e do povo de lá, e portanto, está aí o texto:





"Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
Quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
Eu sinto saudades...

Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
De pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
Do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
Do penúltimo, e daqueles que ainda vou vir a ter,
Se Deus quiser...

Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo,
Lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado,
Provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...

Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei,
De quem disse que viria e nem apareceu;
De quem apareceu correndo, sem tempo de me conhecer direito,
De quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.

Sinto saudades dos que se foram
E de quem não me despedi direito,
Daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
De gente que passou na calçada contrária da minha vida
E que só enxerguei de vislumbre;
De coisas que eu tive e de outras que não tive, mas quis muito ter;
De coisas que nem sei como existiram, mas que se soubesse,
De certo gostaria de experimentar;

Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que,
Não sei aonde,
Para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
E nem onde perdi...

Vejo o mundo girando e penso que poderia estar
Sentindo saudades em japonês,
Em russo, em italiano, em inglês,
Mas que minha saudade,
Por eu ter nascido brasileira,
Só fala português.Embora, lá no fundo, possa ser poliglota.

Aliás, dizem que se costuma usar sempre a língua pátria,
Espontaneamente, quando estamos desesperados,
Para contar dinheiro, fazer amor e declarar sentimentos fortes,
Seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you",
Ou seja, lá como possamos traduzir saudade
Em outra língua, nunca terá a mesma força
E significado da nossa palavrinha.

Talvez não exprima, corretamente,
A imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar
Todas as vezes que sinto este aperto no peito,
Meio nostálgico meio gostoso,
Mas que funciona melhor do que um sinal vital
Quando se quer falar de vida e de sentimentos.

Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis,
De que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas
Que perdemos ao longo da nossa existência...

Sentir saudade é sinal de que se está vivo! 

(desconheço a autoria)

Um pouco do que chamo "liberdade"

"Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor, compram passagens só de ida"

(Martha Medeiros)

Você aguentaria conhecer minha verdade?


''Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos entram e saem,
nunca sei aonde fui parar... mas uma coisa eu digo: eu não paro.
Perco o rumo, ralo o joelho, quebro o tornozelo, bato de frente com a cara na porta.
Sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como. Sempre me pergunto quanto falta,
se está perto, com que letra começa, se vai ter fim, se vai dar certo...
sempre pergunto se você está feliz, se eu estou linda, se eu vou ganhar estrelinha, se eu posso levar pra casa, se eu posso te levar pra mim... Não tem saída, eu sou assim...
Não gosto de meias palavras, de gente morna, nem de amar em silencio.
Aprendi que palavra é igual oração: tem que ser inteira, caso contrário, perde a força.
E força não há de faltar porque aqui dentro eu carrego o meu mundo.
Sou menina levada, sou criança crescida com contas para pagar.
E mesmo pequena, não deixo de crescer.
Trabalho igual gente grande, fico séria, traço metas.
Mas quando chega a hora do recreio, aí vou eu...
Escrevo escondido, faço manha, tomo suco na caixa, choro quando dói,
choro quando não dói. E eu amo. Amo igual criança. Amo com os olhos vidrados.
Amo com todas as letras. AMO. Sem restrições. Sem medo. Sem frases cortadas. Sem censura.

Quer me entender? Não precisa. Quer me fazer feliz?
Me dá um chocolate branco, um bilhete, um brinde que você ganhou e não gostou, uma mentira bonita pra me fazer sonhar. Não importa.
Todo dia é dia de ser criança e criança não liga pra preço, pra laço de fita e cartão com relevo. Criança gosta mesmo é de beijo, abraço e surpresa!(E eu como boa criança que sou quero mais é rasgar o pacote!)
Ah, quer saber o que eu penso? Você aguentaria conhecer minha verdade?
Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros.
Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa!
Ser louca, estranha, linda, chata! Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos.
Sou viciada em gente, mas também adoro ficar sozinha.
Eu vivo para sentir. Sou intensa, exagerada, atrevida, curiosa, doce, ácida, livre, solta... tenho milhões de reticencias e gosto de pessoas não-acabadas...”

(desconheço a autoria)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Quem? Onde?


Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa! E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! (...) (Fernando Pessoa)


Começo meu blog com esse trecho de Tabacaria, de Fernando Pessoa.
A eterna duvida...






Introdução de 1 ano atrás (não publicada) quando criei o blog.
Que curioso. Será o mês de março o mês dos inícios?
(Sei que é o mês que mais tem aniversariantes. Aniversário, nascimento... é, acho que sim)

Março de 2009: tentava eu postar algo por aqui, fui de Tabacaria (Fernando Pessoa), e que tipo de mensagem estava tentando passar? Algo do tipo "quem sou eu?"

Março de 2010: venho para uma outra inauguração (?) e posto Pra rua me levar (Ana Carolina).
Que tipo de mensagem estou tentando passar agora? Algo do tipo "pra onde que eu vou?"

Me senti um ponto de interrogação ambulante agora.

Não é que eu não saiba quem sou. Sei sim. Mas é que a cada dia vou me redescobrindo.
Conhecendo novos eus de eu mesma. As vezes, são eus interessantes, outras vezes nem tanto. Não vou descrevê-los porque não curto muito isso de autodescrição detalhada. E talvez porque nem interesse a você que lê estas linhas. (Mas, se caso queira saber... descubra nas entrelinhas que fica muito mais interessante.)
Também não gosto de definições. Os eus de todo mundo são tão complexos. Para que limitar?
Eu talvez nunca queira descobrir as respostas para estas duas indagações.
Gosto de me descobrir e me inventar. E, pelo menos por enquanto, curto isso de não ter um ponto fixo, uma rota determinada.
Minha experiencia de 2008/2009 foi tão "eu".
Estou aqui, mas em 2 semanas estava do outro lado do oceano.
Foi maravilhoso, e não tanto pelo fato de estar lá, mas pelo fato de poder ir lá.
Sentiu a diferença? Eu senti. O nome? Liberdade. Desejo incontestável de todo ser vivo.

(mas isso é assunto para outro post)

e para onde eu vou? Vou deixar a rua me levar...

Elaine

Outro tempo começou pra mim agora




Pra rua me levar

Não vou viver como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você

É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...

(Composição: Ana Carolina / Totonho Villeroy)